Farmácia Hospitalar

Os Serviços Farmacêuticos Hospitalares (SFH) são departamentos com autonomia técnica e científica, sujeitos à orientação geral dos Órgãos de Administração dos Hospitais, perante os quais respondem pelos resultados do seu exercício, sendo que a direção dos SFH é obrigatoriamente assegurada por um farmacêutico hospitalar.

Com a prática centralizada no doente, são a estrutura técnica que suporta muitos dos processos de procura contínua pelo melhor tratamento pelo menor custo, de modo a conseguir obter os medicamentos de que os doentes precisam.

Em cada prescrição hospitalar existe uma efetiva validação por parte dos farmacêuticos, que procedem à revisão das doses e confirmam as indicações terapêuticas, dialogando com médicos e enfermeiros sempre que necessário, com o objetivo de tornar os tratamentos mais seguros e eficazes.

Os farmacêuticos hospitalares são também responsáveis pela preparação de medicamentos, sendo que é nos SFH que se preparam muitos dos medicamentos citotóxicos e produtos de nutrição parentérica, bem como a supervisão e preparação de manipulados, utilizados, por exemplo, em pediatria, oncologia, e dermatologia.

Na atualização dos métodos de disponibilização de medicamentos, os farmacêuticos foram parte ativa e crucial para o nível atual de informatização dos hospitais no circuito do medicamento, sendo que a prescrição eletrónica é uma realidade com quase uma década na farmácia hospitalar em Portugal, iniciada e desenvolvida por farmacêuticos hospitalares.

No regime de ambulatório, dispensam-se medicamentos de elevado valor, com um rigor extremo e com a consciência de que o farmacêutico é o último contacto com o doente, proporcionando aconselhamento devido quanto ao processo de uso do medicamento, garantindo a efetividade das políticas do medicamento. A Farmácia Hospitalar é também uma importante fonte de informação sobre o medicamento, tanto para doentes como para outros profissionais de saúde.

Assim, a Farmácia Hospitalar é o serviço que assegura a terapêutica medicamentosa aos doentes, nos hospitais, a qualidade, eficácia e segurança dos medicamentos, integra as equipas multidisciplinares de cuidados de saúde e promove ações de investigação científica e de ensino.

TESTEMUNHO

O meu nome é Francisco Sá, tenho 25 anos e sou Farmacêutico Hospitalar. Desde que acabei o Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas, na FFULisboa, há 3 anos, que trabalho no Hospital CUF Infante Santo. Ao longo destes anos passei por várias áreas da farmácia hospitalar. Neste momento, sou o Farmacêutico Clínico responsável por um serviço de internamento de cardiologia e medicina, pelos pedidos de AUE (Autorização de Utilização Excepcional) e pelos ensaios clínicos, cumulativamente com as actividades de apoio clínico a outros pequenos serviços de âmbito ambulatório bem como ao serviço de Oncologia. Neste último, trabalhamos lado a lado com médicos e enfermeiros no tratamento do doente oncológico. Participamos no processo desde o diagnóstico, validando protocolos terapêuticos, acompanhando a administração dos tratamentos e esclarecendo os doentes sobre a sua medicação, fazendo a dispensa para ambulatório e o seguimento de farmacovigilância. Durante alguns anos uma área de difícil acesso aos recém-farmacêuticos, a Farmácia Hospitalar começa nos nossos dias a renovar-se e, com isso, surge a oportunidade de desenvolver projectos clínicos muito interessantes num ambiente que se quer multidisciplinar, envolvendo os vários profissionais de saúde que trabalham num hospital, de forma a garantir a prestação dos melhores cuidados ao doente. Dinamismo; interesse e vontade de manter uma formação contínua que acompanhe a evolução científica e permita aplicar os conhecimentos adquiridos em prol do doente; capacidade de trabalho em equipa e diálogo interdisciplinar, são, entre outras, características-chave de um Farmacêutico Hospitalar. Estamos, finalmente, numa era em que acredito que assistiremos a uma mudança de paradigma em relação ao Farmacêutico Hospitalar. Deixará de ser o responsável pela correcta aquisição, gestão e dispensa logística dos medicamentos, a que muitas vezes nos limitávamos, e passará a ser verdadeiramente o Especialista do Medicamento, em todo o seu circuito, que traz aportes valiosíssimos à actividade clínica de um Hospital. Saíndo de portas dos Serviços Farmacêuticos e trabalhando diariamente, lado a lado com os restantes profissionais de saúde (médicos, enfermeiros e auxiliares de acção médica), o Farmacêutico consegue e conseguirá provar a sua mais-valia no dia-a-dia de um Hospital e na garantia da segurança dos doentes, através de uma utilização segura e eficaz dos medicamentos. Claro que existem e continuarão a existir tarefas do circuito logístico que nos competem e são indispensáveis para a actividade clínica mas acredito que, na senda do que já vemos em países mais maduros nesta área, tal como os Estados Unidos da América e o Reino Unido, o farmacêutico tem todo o espaço para num hospital, em ambiente multidisciplinar, caso assim queira, desempenhar um papel-chave na prestação de cuidados de saúde aos doentes. Este é um caminho que estamos a construir e que precisa muito da experiência dos que nos precederam e do entusiasmo dos que, como eu, agora começam, mas tenho a esperança que conseguiremos, em breve e com a ajuda de todos, contribuir para garantir o melhor para os nossos doentes e dignificar a nossa profissão.”

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